sexta-feira, setembro 28, 2012

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Grande Muralha da China – Mitos e Factos



Imagem: Shutterstock

A Grande Muralha é simultaneamente um mito e um facto. Entre os mitos está a crença de que tem mais de 2000 anos.
Na verdade, a Grande Muralha, ou as secções que sobreviveram, representa as últimas e as maiores de dúzias delas. A construção de muralhas era recorrente na história chinesa depois do século III a.C., inspirada pela constante necessidade de manter afastadas as hordas de nómadas do Norte.
Durante dois milénios, os dirigentes chineses experimentaram diferentes formas de lidar com o «problema nómada», através de trocas comerciais, casamento, ataque, conquista e construção de muralhas para os manter longe, apenas como último recurso. Nada funcionou. No século XIII, os mongóis transpuseram sem dificuldade as primeiras secções da Grande Muralha e estabeleceram a sua própria dinastia chinesa.

Os imperadores dos sucessores mongóis, os Ming (1368-1644), decidiram uma solução mais duradoura: uma nova grande Muralha, construída principalmente na segunda metade de 1400, substituindo e unindo as muralhas anteriores.
Estas primeiras versões eram parcialmente construídas por lama, que não resistia à erosão. A grande muralha actual é de tijolo e pedra e foi construída por mão-de-obra forçada. O talude em ameias foi feito de modo a que cinco homens a cavalo pudessem cavalgar lado a lado – servia tanto de via rápida militar como de barreira – e é pontuada por torres a cada 100m, que tanto eram usadas como bases para guarnição, como para assinalar e seguir os instáveis nómadas no seu perpétuo galope em busca de pontos fracos.
A construção começou no ocidente. Depois, em resposta aos ataques mongóis, serpenteou para leste, criando barreiras ao longo da orla sul do território mongol, atravessando o Norte de Pequim e dirigindo-se finalmente para leste, para a costa marítima do mar amarelo. Apesar da sua grandiosidade, era tão inútil quanto as suas antecessoras – um século após a conclusão, a China caiu nas mãos dos Manchus do Nordeste e a Muralha deixou de marcar qualquer fronteira.
Apesar de grande parte da muralha ter ruído e de secções inteiras terem sido isoladas, as partes mais visitadas foram cuidadosamente restauradas como resultado de uma decisão política tomada nos anos 80. O primeiro ministro  Deng Xiaoping iniciou a campanha, cujo mote era «Deixem-nos amar o nosso país e restaurar a Grande Muralha!». Após séculos de maus tratos, a Muralha foi submetida a um renascimento e permanece o símbolo da própria China, para os Chineses. Referem-se-lhe pelo nome do seu mais antigo antecessor - «a muralha de 10 000 li», sendo que um li corresponde a 0,5Km.Muitos mitos e lendas asseguram que ela permanece um bastião da cultura nas mentes e nos corações chineses – bem como nos factos que inspiram um temor respeitoso.
Fonte: O Atlas do Viajante

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