segunda-feira, agosto 27, 2012

0

Ilha de Páscoa - Uma borbulha vulcânica no oceano

Imagem: Shutterstock
Esta ilha está a 27°09' de latitude sul e a 109°26' de longitude oeste. Isto significa que qualquer viajante que se encontre nesta ilha, está sobre o solo mais distante de qualquer lugar povoado do planeta, em pleno Oceano Pacífico, a 4.100 km do Taiti e a uns longos 3.700 km da costa da América do Sul.
A Ilha de Páscoa, cujo nome é uma referência ao domingo de Páscoa de 1722, em que foi (re)descoberta por navios ocidentais, é uma das três extremidades de um triângulo imaginário formado pela Nova Zelândia e pelo Havai, ilhas localizadas na chamada Oceania Remota.
Mais do que formar uma imensa área de milhões de quilómetros quadrados, este conjunto de territórios distantes tem em comum a mesma origem Polinésia e um certo gosto por histórias intrigantes.


E é ali, em Te Pito o Te Henua (no "umbigo do mundo", em língua rapa nui), que viajantes de bom gosto encontram os melhores e mais distantes mistérios de uma gente que decidiu ir longe para fincar, entre tantos outros enigmas, estátuas gigantes que parecem reverenciar os seus criadores rapa nui.
Imagem: Shutterstock
Não há dúvidas de que estas belas esculturas feitas com rochas vulcânicas são o cartão postal mais divulgado desta ilha. No entanto, as opções de atracções são tão variadas quanto as questões formuladas sobre esta pequena ilha de quase 170 km². As descobertas vão além dos olhares distantes dos moais.
A ilha é o topo de uma imensa cadeia rochosa que se teria formado há uns 3 milhões de anos e que se esconde a 3 mil metros no fundo do mar. Foi a partir de grandes explosões vulcânicas que surgiram lugares de beleza rara em todo o mundo, como os vulcões Rano Kau e Rano Raraku.
É tanta a energia concentrada num pedaço tão pequeno de terra que até os polinésios vindos de rincões distantes escolheram aqueles lugares para seguirem os seus rituais espirituais. E para apreciar esse cenário o esforço é mínimo, já que o ponto mais alto da ilha tem apenas 511 metros. Difícil mesmo é entender tanto mistério.
Sob aquelas pontas rochosas que um dia foram o berço de lavas quentes esconde-se outro mistério de Páscoa: as cavernas subterrâneas interligadas por escuros e largos corredores naturais formados pela passagem, há milhões de anos, de lava vulcânica. A princípio, entrar numa delas pode parecer uma ideia amalucada de um guia irresponsável, mas quando os primeiros metros são ultrapassados, abrem-se amplos salões de pedra com enormes janelas naturais com uma vista única do Pacífico.
A população rapa nui, que se tinha multiplicado logo após a chegada dos primeiros habitantes à ilha, foi vítima de uma intensa escassez de alimentos numa superfície com recursos limitados, dando origem a disputas internas que obrigaram muitos daqueles homens a esconderem-se no interior dessas cavernas. E quem acaba por ganhar essa guerra é o visitante, que adiciona mais uma história ao seu diário de bordo.
A controversa trajectória de Rapa Nui, que em língua Polinésia quer dizer "ilha grande", parece ter o seu início com a chegada de um grupo proveniente da Polinésia com o objectivo de colonizar novas terras. Liderada pelo rei Hotu Matu'a, aquela gente teria chegado entre os séculos 4 e 8. A sua complexidade e organização deram origem, entre tantas outras histórias, a um dos mais intrigantes mistérios da ilha: os moais.
Primeiro, eram erguidos os ahus, as gigantes plataformas cerimoniais de pedra; e logo vinham as imensas estátuas com cabeças grandes e mãos sobre o corpo que eram encomendadas como homenagem aos chefes das tribos locais ou a ancestrais transformados em divindades. 
Imagem: Shutterstock
Acredita-se que estas construções aconteceram em três períodos distintos: entre os anos 800 e 1000 d.C., entre 1000 e 1200 e entre 1200 e 1600, ao qual pertencem a maioria dos moais encontrados, actualmente, em toda a ilha.
Mas como teriam chegado até ali aquelas imensas rochas vulcânicas talhadas de até 86 toneladas? Algumas pesquisas defendem a ideia de que eram transportadas sobre troncos que rolavam sobre o terreno irregular da ilha. Outras afirmam que estruturas feitas com pedras lisas ajudavam no transporte. Mas a melhor das teorias é a que vem da tradição oral, segundo a qual os moais, simplesmente, caminhavam.
Só mesmo o lugar mais distante do planeta para aproximar o mundo ocidental ao mais profundo da cultura Polinésia.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Deixe aqui o seu comentário!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...