sexta-feira, julho 27, 2012

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Porquê viajar? Porque não ler simplesmente?

 
« Não podíamos nós ficar alegremente todos em casa e unicamente ler ou fazer zapping ou deslizarmos através das maravilhas do mundo e absorvê-las dessa maneira? Não.
Os livros, os vídeos e a internet nunca são substitutos das experiências que transformam vidas. De certeza que já o fizeram, pensaram que existem paisagens, experiências e emoções que mudam vidas e que vocês não saberão antecipadamente quais serão.

A alegria de viajar é a surpresa, o elemento emocionante. Por um momento sentem novamente a agitação da alegria e as surpresas originadas pelo começo de um amor juvenil.
Ó meu Deus, dizem, não fazia ideia de que esta montanha ou este templo eram tão pequenos, ou grandes, ou bonitos. O momento passa, porque os seres humanos não podem manter tanta felicidade, mas a memória das emoções permanece.
Pode alguém manter-se igual depois de ter visto pela primeira vez as pirâmides, o Evereste, ou o Grande Canyon, ou os Templos de Angkor Wat?
Não pensem que a experiência muda diretamente o mundo. O seu efeito é absolutamente pessoal, e caso o não fosse, seria tão entediante como o encanto de uma férias sempre repetidas. Se e quando alguma coisa descomunal acontece, acontece-lhe só a si. Não há uma maneira infalível de transferir a emoção para o espírito de outrem, a menos que seja um poeta ou um artista. Melhor do que tentar é agarrar essa emoção só para si e compreender que acabou de ganhar algo de inefável.
Mas mesmo connosco, os não poetas, a experiência afeta-nos indiretamente. Vejam isto pelo outro lado. Tudo isto faz parte de uma viagem a locais exóticos, que, caso não vá até essas paragens, se permaneça empobrecido, arredado do que deveria ser seu como cidadão do mundo, já num novo milénio.
Em tempos, os humanos estavam limitados à velocidade e distância que podiam percorrer a pé, de cavalo, numa canoa ou num barco. Levavam semanas ou anos para procurar e experimentar novos mundos.
A Grand Tour à Europa, levada a cabo pelos mais ricos nos anos 70 do séc. XX, durou muitos meses. Um dos maiores viajantes medievais, Ibn Battuta, atravessou a África do Norte e de Leste até ao Médio Oriente, Volga, Índia e China, mas levou-o numa viagem de 30 anos.
Presentemente, todos podemos ver o que ele viu, ou pelo menos os equivalentes modernos. Viajar permite-nos partilhar o mundo e o nosso património. Como habitantes da aldeia global, tivemos uma melhor consciência do que deveríamos herdar e o que devíamos transmitir.»

in, O atlas do viajante.

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